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Gigaprayer

Fomos homens meio bicho meio terra e meio sal

Que numa noite de eclipse fomos transformados

nesta triste plantação geek de eletrodos e painéis.

Eclodiu a rede e sua composição über-artificial

Senhor, para onde iremos nós?

Superconsumidores de tudo que seria e que é

Ontem comprei meu lixo dessa noite descartável

gigabytes, mega-hertz mensuram a escuridão da realidade

Senhor, quantos gigas para nós?

Cientistas são sagazes e pensam aritmética com linguística

criam hipóteses absurdas em um cérebro eletrônico.

Busca, emula, formata, modula, mas ninguém faz a crítica

Senhor, salve um arquivo por nós!

Estudantes all hi-tec, com seus tablets moderninhos,

da telinha pro caderno pra mostrar ao professor

copiando e emulando argumentos espertinhos

Senhor, dá um ctrl C pra nós!

Solteironas acadêmicas noite adentro vasculhando a cidade

em um giro GPS em busca de um cafajeste pra gozar por uma noite.

Interação, face to face, rede social da virtualidade

Senhor, tenha piedade de nós!

Algoritmos perspicazes transformam rapazes esqueléticos

Em príncipes encantados gerados por bits com sabor de silício

Tudo é simulação configurada em resultados hipotéticos.

Senhor, virtualize o amor por nós!

network e avatar – terabyte e megahertz – acabou a energia

cloud computing –  avatar – tem scraps? this is the end.

Oba – alas – viva o bit – palmas pra tecnologia

Vírus e cyberbullying – Control Z, sou novo outra vez

Ah, Senhor, tenha um backup de nós!


Transcriação midiática na web 2.0

À primeira vista uma série de videos que se copiam. À luz da teoria dos estudo das narrativa transmidiática o fenômeno  da replicaço. Glee é mais um dos inumeros momentos em que as novas tecnologias permitem que serem humanos comuns se aproximem de seus ídolos, o adoradores se passam por adorados, o consumidor se tornando o próprio criador. Casos como este somente são possiveis gracas à maneira como  os novos itens de consumo são divulgados. O youtube permite ao telespectador tomar o lugar da estrela e fazer uma releitura das ações do ídolo baseada em sua própria experi~encia. A mídia está sendo recriada ou reinventada por permitir ao interlocutor uma relação dinâmica. Cópias e mais cópias de si mesmo são possíveis graças aos recursos oferecidos online. Glee é apenas um referencial, nunca a matriz. As cópias, as réplicas, as montagens são frutos da possibilidade de participação. Na cultura da convergência  atores são diretores e escritores são leitores de si mesmos e recriam as relações com o mundo midiático através das múltiplas variantes agora existentes. De acordo co Jenkins (2008) o filme não precisa ser bem feito, mas deve fornecer recursos que os consumidores possam utilizar na construção de suas próprias fantasias. Glee é, a meu ver, mais uma novelinha insossa para adolescentes americanos com pouca ou nenhuma atividade mais importante que ir à escola e fazer o dever de casa. Assim, outros podem recuperar o momento sublime da fama na TV e promover a transposição deste para uma nova leitura: o próprio telespectador se tornando o agente, o ator, o cantor, o personagem principal daquilo que admira. Quem nunca se pegou em frente ao espelho imitando grandes astros da TV ou estrelas da música? Quem nunca se imaginou um Elvis ou um Frank Sinatra enquanto toma banho?

É famoso na rede o hábito de tomar um vídeo famoso qualquer e recriar o áudio com novas e interessantes versões contando outras histórias. Verifique o caso do filme “A queda” que conta os últimos passos de Adolf Hitler. Várias versões do vídeo fazem sucesso no youtube, tudo a partir da possibilidade de criação dos antigos telespectadores, hoje agentes das novas mídias. Do vídeo que deu origem ao fenômeno: A queda – o vídeo “original” a vários outros transcriados: Hitler expulso de república em Ouro Preto , Hitler pedindo o chip de Pedro , Hitler banido do Counter Strike, Hitler perde o direito de usar o Twitter .

Outro vídeo também com inúmeras variantes é o de William Bonner imitando Clodovil Hernandes juntamente com Cid Moreira , mas minha  narrativa transmidiática preferida é o efeito que o desenho animado “The Simpsons” provoca nas pessoas ao recriar grandes cenas do cinema em seus episódios na TV.