Monthly Archives: December 2009

Transcriação midiática na web 2.0

À primeira vista uma série de videos que se copiam. À luz da teoria dos estudo das narrativa transmidiática o fenômeno  da replicaço. Glee é mais um dos inumeros momentos em que as novas tecnologias permitem que serem humanos comuns se aproximem de seus ídolos, o adoradores se passam por adorados, o consumidor se tornando o próprio criador. Casos como este somente são possiveis gracas à maneira como  os novos itens de consumo são divulgados. O youtube permite ao telespectador tomar o lugar da estrela e fazer uma releitura das ações do ídolo baseada em sua própria experi~encia. A mídia está sendo recriada ou reinventada por permitir ao interlocutor uma relação dinâmica. Cópias e mais cópias de si mesmo são possíveis graças aos recursos oferecidos online. Glee é apenas um referencial, nunca a matriz. As cópias, as réplicas, as montagens são frutos da possibilidade de participação. Na cultura da convergência  atores são diretores e escritores são leitores de si mesmos e recriam as relações com o mundo midiático através das múltiplas variantes agora existentes. De acordo co Jenkins (2008) o filme não precisa ser bem feito, mas deve fornecer recursos que os consumidores possam utilizar na construção de suas próprias fantasias. Glee é, a meu ver, mais uma novelinha insossa para adolescentes americanos com pouca ou nenhuma atividade mais importante que ir à escola e fazer o dever de casa. Assim, outros podem recuperar o momento sublime da fama na TV e promover a transposição deste para uma nova leitura: o próprio telespectador se tornando o agente, o ator, o cantor, o personagem principal daquilo que admira. Quem nunca se pegou em frente ao espelho imitando grandes astros da TV ou estrelas da música? Quem nunca se imaginou um Elvis ou um Frank Sinatra enquanto toma banho?

É famoso na rede o hábito de tomar um vídeo famoso qualquer e recriar o áudio com novas e interessantes versões contando outras histórias. Verifique o caso do filme “A queda” que conta os últimos passos de Adolf Hitler. Várias versões do vídeo fazem sucesso no youtube, tudo a partir da possibilidade de criação dos antigos telespectadores, hoje agentes das novas mídias. Do vídeo que deu origem ao fenômeno: A queda – o vídeo “original” a vários outros transcriados: Hitler expulso de república em Ouro Preto , Hitler pedindo o chip de Pedro , Hitler banido do Counter Strike, Hitler perde o direito de usar o Twitter .

Outro vídeo também com inúmeras variantes é o de William Bonner imitando Clodovil Hernandes juntamente com Cid Moreira , mas minha  narrativa transmidiática preferida é o efeito que o desenho animado “The Simpsons” provoca nas pessoas ao recriar grandes cenas do cinema em seus episódios na TV.

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Brincadeira de criança

A maneira como as novas tecnologias tem interferido em nossas relações é tão intensa que normalmente nem paramos pra pensar nisso. É famoso na rede o email que começa assim: “Você precisa ir ao clube quando…”. No referido texto o anônimo autor cita exemplos claros de situações nas quais as pessoas não mais interagem pessoalmente por contarem com a comodidade e rapidez dos meios eletrônicos. Assim, um amigo pode convidar o outro para almoçarem juntos por email ou sms, mesmo estando a centímetros de distancia, no computador ao lado. Pessoalmente esta relação tem acrescentado muito à minha vida pessoal, por ser eu um escritor amador de contos, crônicas e poemas. Hoje tudo que se relaciona ao ato de escrever faço online. Noutros tempos eu era escravo de um bloquinho de papel e de um lápis que me acompanhava por todo lado. Ainda o carrego, mas o uso é mais cadenciado com meus momentos offline. Quantos textos tenho que foram escritos a partir de impressões escritas numa frase em pedaços de papel esquecidos no fundo dos bolsos das calças e salvos a tempo por minha mãe antes da lavagem? Gostaria de recomendar a leitura de minha crônica Tecnostalgia que acredito ilustrar bem esta relação. Outro fato que me intriga é a proliferação de jogos eletrônicos e online que cada vez mais invadem nosso cotidiano. Quem não conhece ou não jogou Amarelinha, Pula-carniça, Garrafão ou Pegador? Hoje as crianças estão globalizadas e as brincadeiras estão cada vez mais dependentes de tecnologia. God of war, The Sims, Second Life, Xbox e Playstation e vários outros tomaram o lugar das brincadeiras de roda e das cantigas, das correrias, das competições infantis. Claro que na “nossa” época já havia videogames e TV, mas nada na proporção do que existe hoje. Teria o tempo do brincar sido também transformado pela onda tecnológica? Quais os benefícios dessa mudança? O que os pedagogos e psicólogos dizem sobre isso? Éramos mais felizes?